09 Maio 2008

Vício


Desde pequena que devoro livros. Ultimamente tenho lido alguns. Aproveito, principalmente, o tempo que passo nos transportes públicos para pôr a leitura em dia. Ando completamente viciada na escrita deste senhor. Aconselho.

Hoje comovi-me. Até posso aceitar as diversas razões mas, não consigo entender a forma como, e porque o fazem. Tenho a certeza que há muitas outras formas de demonstrarem a sua fé.
Realmente não sei o que se anda a passar comigo mas, comovi-me quando vi tanta gente junta pela beira da estrada. Duas vezes, de manhã e agora no regresso a casa. Nem consegui sentir o cheiro das flores do campo.

08 Maio 2008

Aos tombos

Hoje vinha uma mulher no metro completamente passada. Quando olhei para ela estava a dormir em pé, encostada aquela junção interior das carruagens, até que uma miuda lhe cedeu um lugar sentada. Quando começou a ficar mais vazio, calhou de me sentar exactamentre ao lado dela. Parecia impaciente, olhava para tudo e para todos, não parava quieta. De repente vejo que está virada para mim a dizer-me qualquer coisa, pensei eu: bem, lá tenho de tirar a música e ver o que esta quer. Com uma fala muito enrolada lá consegui perceber que queria sair nos Restauradores, já íamos a caminho de Santa Apolónia… disse que tinha de voltar para trás porque a estação que ela queria já tinha passado. Ao que ela me respondeu (com a mesma fala enrolada e a revirar os olhos):
- Sabe é que eu hoje tomei uns calmantes e estou assim.
Quando se levantou do banco, andou aos tombos, parecia não ter forças nas pernas para aguentar os balanços do metro.
De repente veio-me à lembrança que aquela mulher podia ser a minha mãe, quando inventa aquelas crises depressivas e, fiquei a pensar naquilo até chegar a casa.

Estou muito zangada com a minha mãe, porque ultimamente tem-me dito coisas que não se dizem a ninguém, muito menos a uma filha mas…não quero, de todo, que ela passe por uma situação idêntica.