Hoje vinha uma mulher no metro completamente passada. Quando olhei para ela estava a dormir em pé, encostada aquela junção interior das carruagens, até que uma miuda lhe cedeu um lugar sentada. Quando começou a ficar mais vazio, calhou de me sentar exactamentre ao lado dela. Parecia impaciente, olhava para tudo e para todos, não parava quieta. De repente vejo que está virada para mim a dizer-me qualquer coisa, pensei eu: bem, lá tenho de tirar a música e ver o que esta quer. Com uma fala muito enrolada lá consegui perceber que queria sair nos Restauradores, já íamos a caminho de Santa Apolónia… disse que tinha de voltar para trás porque a estação que ela queria já tinha passado. Ao que ela me respondeu (com a mesma fala enrolada e a revirar os olhos):
- Sabe é que eu hoje tomei uns calmantes e estou assim.
Quando se levantou do banco, andou aos tombos, parecia não ter forças nas pernas para aguentar os balanços do metro.
De repente veio-me à lembrança que aquela mulher podia ser a minha mãe, quando inventa aquelas crises depressivas e, fiquei a pensar naquilo até chegar a casa.
Estou muito zangada com a minha mãe, porque ultimamente tem-me dito coisas que não se dizem a ninguém, muito menos a uma filha mas…não quero, de todo, que ela passe por uma situação idêntica.